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Quando você não fala, seu corpo grita!

Atualizado: Jun 15

E essa é a maneira dele cuidar de você.


É comum a pessoa chegar na sala de terapia querendo mudar... O OUTRO.


"É que não tô feliz com meu marido...

Meu filho já não é mais o mesmo

Tá difícil a situação com meus pais

Etc

Etc

Etc..."


Infelizmente, a resposta que dou é mais ou menos a mesma para todos esses casos:

“Olha só, vamos cuidar de você primeiro, e depois a gente olha como fica a questão com os outros, ok? ”.


Falo isso por que as pessoas ficam bravas se eu digo que elas não vão conseguir mudar o outro, ou se digo que a responsável pela (in) felicidade delas são elas mesmas.


Não podemos mudar a maneira que os outros se comportam, da mesma maneira que não podemos mudar nada que tenha livre arbítrio nesse mundo.

É mais fácil alterar o curso de um rio do que o curso da vontade humana. Simples assim.


Parece bem simples de entender, mas não é nem um pouco fácil de praticar.


Se você parar para observar, as crises surgem quando aquilo a que estamos mais apegados, desmorona. As dores surgem quando os outros ou a gente se desencaixa do que nossa mente (pequena e mesquinha) acha que seria o certo, o padrão, o ideal.


O que não percebemos é que se tentarmos, a partir desse lugar de dor, mudar o mundo, morremos dando murros em ponta de faca, nos frustrando e sofrendo ainda mais, num ciclo interminável.


Guardar tudo dentro de si também não é uma solução.

Se não abrimos a mente e o coração para essas questões, mais cedo ou mais tarde, acabamos explodindo. Seja sob a forma de uma doença, seja sob a forma de um conflito.

Nosso corpo grita quando trancamos as dores do nosso coração (photo by heather-m-edwards on unsplash)

Ou seja: se correr o bicho pega, e se ficar....


Mas então, o que podemos fazer?


Trabalhar a gente mesmo, para que nós possamos sair do lugar de dor e ir para um lugar de no mínimo, neutralidade.

Trabalhar nossas crenças, nossos valores, nossos preconceitos e nossa falta de aceitação perante aquilo que não se alinha com nossa vontade.


Terapia, entre outro milhão de coisas, também serve pra isso.


Aí, depois de muito trabalho sobre as questões que não aceitamos, que não queremos, que não mudamos lá no começo, vemos que tá tudo bem em sermos nós mesmos, ao mesmo tempo que é ok também o outro ser quem ele é.


Se seu corpo precisou gritar com você ou com o mundo, tudo bem. Foi o jeito dele cuidar de você, de te mostrar que havia algo em você precisando ser trabalhado.


Mas não precisa esperar chegar nesse ponto.


Só vai doer no corpo o que, de alguma forma, doeu na alma antes. Mas se você percebe isso logo, consegue trabalhar a tempo da compreensão substituir a dor e o alívio de falar substituir o medo, a raiva, a culpa, a ansiedade ou qualquer sentimento que esteja te causando angústia.


Seu corpo não precisa mais gritar, por que seu coração aprendeu a habitar um lugar de liberdade, quando você aprende a aceitar, a si mesmo e ao próximo.


Aí sim, criamos espaço para um diálogo com o outro. A partir do nosso lugar de paz.


Abraço,


Valter

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